Carnaval, a festa do brincar

As fantasias exercem relevante papel na formação psíquica das crianças. O ato de fantasiar-se serve para elaborar e projetar sentimentos, ajudando a criança a tornar-se mais segura e autônoma. Além, é claro, de ser uma das variadas formas do fazer infantil mais importante: o brincar.

No Carnaval, é comum que os adultos corram às lojas para comprar uma linda fantasia de seu personagem favorito para deixar o filho ainda mais fofo. Ou que atendam aos apelos dos pequenos para se vestir como seu ídolo do desenho preferido.

Fantasias prontas são brincadeiras prontas, que não deixam tanto espaço para a criação. A criança veste e se comporta imitando as características do personagem.

Passado o carnaval, a fantasia fica esquecida ou pequena. Ou é arrancada ainda durante o baile por ser incômoda, atrapalhar os movimentos, ser quente devido ao material sintético.

Uma alternativa cheia de benefícios é fazer a fantasia com a criança, usando objetos e materiais simples, de fácil acesso, confortáveis, de baixo custo, e que poderão ser usadas de muitas formas, em diversas brincadeiras, mesmo depois do carnaval.

Essa prática combate o consumismo, é mais sustentável, estimula a criatividade e a convivência familiar.

Para a criança, além de incluí-la no processo de confecção da fantasia, ensina sobre relações de consumo mais saudáveis, uma vez que o objeto ganha múltiplos usos, é feito com afetividade e participação dela própria, com materiais simples, mais confortáveis e cujas sobras poderão ser usadas por ela posteriormente como material de artes e brincadeiras – cola, TNT, EVA, gliter, papéis, tecidos…

Quanto às fantasias e adereços, elas ganham sobrevida por não serem objetos de uso dado. Uma capa de TNT, por exemplo, pode ser de herói, mágico, bruxa, princesa, apresentador de circo. A saia de tule veste princesas, fadas, bailarinas, bichinhos variados.

A peça criada para o carnaval é depois acrescentada ao acervo de brinquedos, dando vida a muitas brincadeiras, por muito tempo!


Pollyana Xavier é psicóloga e psicanalista, especialista em temas relacionados à infância e ao brincar.

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