Excesso de atividades prejudica as crianças

 

Natação, defesa pessoal, segunda língua, futebol, balé…. mais o período de escola e o dever de casa! Cheios de boas intenções – e também pela falta de tempo de estar com os filhos – os pais acabam criando agendas pesadas demais para as crianças, correndo o risco de criar, em si próprios, falsas expectativas com relação ao sucesso e, nas crianças, gerar ansiedade e estresse.

 

Segundo a psicóloga e psicanalista Pollyanna Xavier, especialista em primeira infância e importância do brincar, os pais estão incluindo os filhos cada vez mais cedo no mesmo ritmo frenético em que vivem. Colocam à disposição todas as possibilidades para que elas alcancem um futuro brilhante e carreira invejável sem, contudo, deixar que as reais aptidões se manifestem, que se apresentem no momento certo. Assim, acabam colocando de lado o que é mais importante: presença, afeto e a possibilidade de brincar.

 

“As pessoas ainda não valorizam esses quesitos como eles deveriam ser valorizados. Na ordem de importância, eles deveriam vir primeiro, especialmente na primeira infância, que é quando se estrutura em nós tudo aquilo que seremos um dia”, argumenta Pollyanna. Segundo ela, o excesso de atividades e a falta do brincar, por exemplo, limitam o desenvolvimento da autonomia, da criatividade, das aptidões e de uma série de outras habilidades que só se manifestam numa boa brincadeira.

 

A oportunidade de brincar, de manusear materiais desestruturados (gravetos, pedras, terra, areia, água, tinta etc) e de adaptar outros objetos para uso diferente do original permite que a criança dê asas à imaginação e que se construa individual e livremente, enquanto brinca. O momento de “fazer nada” é importante justamente por trazer paro os pequenos inúmeras possibilidades de descobrir o “tudo”. “Esse é o momento em que eles mais partilham, seja com quem está brincando junto ou com os personagens da sua imaginação. Eles dividem o brinquedo, o espaço, as ideias e o próprio brincar”, defende.

 

Obviamente, incluir atividades esportivas e culturais na vida dos filhos é algo bem-vindo. A grande questão é saber dosar. Para Pollyanna, o equilíbrio entre as atividades programadas e aquelas que podem ser feitas livremente, à escolha da criança e no seu ritmo, é que vai permitir o desenvolvimento pleno da infância.

 

Confira algumas dicas da especialista sobre o assunto:

 

– Promova atividades em que possa brincar com seu filho. As brincadeiras divertem, integram e promovem ganhos cognitivos também. Ao contrário, os jogos eletrônicos isolam, irritam e viciam a criança;

– Garanta que todos da família tenham tempo para descansar, refletir e ficar junto;

– Estudar é importante! Mas as crianças devem ter tempo pra brincar. Quando está em uma brincadeira, a criança está inventando, negociando, criando soluções, aprendendo a vencer, perder, a ceder, ouvir o outro…ver as coisas dando certo e, às vezes, dando errado também;

– Respeite as escolhas do seu filho. Não imponha suas próprias vontades. O tempo vai revelar as verdadeiras aptidões da criança;

– Não é preciso quebrar a cabeça para criar alguma atividade de entretenimento para a criança. Criatividade e reflexões sobre a vida, muitas vezes, nascem do tédio. O tempo para “fazer nada”, portanto, deve ser valorizado;

– Ensine a cultivar espaços silenciosos durante o dia e a ter tempo para esvaziar a mente.

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