Hand spinner: mais uma forma de consumismo na infância

O melhor brinquedo dos últimos tempos das últimas semanas. Na urgência que dita a indústria do consumo, o hand spinner (ou fidget spinner) tornou-se a mais nova “necessidade” entre crianças e jovens de todo o mundo. O brinquedo chegou ao Brasil em meados de maio e já é vendido em redes varejistas, camelôs e bancas de jornais. É a febre do momento.

O spinner chegou ao país com a promessa de combater o estresse e melhorar o déficit de atenção. Basta prender o brinquedo entre o polegar e o indicador e girá-lo em seu eixo. As três pontas, com pesos iguais, garantem o equilíbrio. Lembra do desafio de girar um caderno em uma caneta? A fórmula é a mesma.

Para a psicanalista Pollyanna Xavier, diretora da Aldeia Jabuticaba, o brinquedo não passa de mais uma das febres criadas pela indústria. “Não há suporte científico de que ele melhore a atenção ou seja positivo no desenvolvimento da criança. Não acredito que tenha os benefícios que tem sido propagado”, afirma.

Toda geração tem sua própria febre. Já se passaram a era dos tamagotchis, tazos e ioiôs, por exemplo. “O ioiô ainda era um brinquedo mais antigo que tem a questão de aprender modalidades e a criança pode se desenvolver de várias formas”, explica a psicanalista.

Ela ressalta que o spinner não promove a evolução psicomotora ou da atenção, só estabelece o foco de concentração nele, naquelas pontas rodando, rodando… “O spinner não faz com que a atenção fique trabalhada para outras situações”, argumenta. Além disso, ela destaca o fator de sedentarismo, já que o brinquedo não estimula a atividade física.

MODA E COMPULSÃO
Pollyana alerta ainda que o brinquedo representa mais uma forma de consumismo. “A criança pode ser levada pela moda e os pais acabam atendendo aos apelos sem críticas. É importante conversar com o seu filho. Não pode ser um uso indiscriminado. Veja a relevância. Procure informações embasadas”, esclarece.

Institutos como o Inmetro e Alana, além da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), psicólogos e fisioterapeutas são boas fontes para buscar mais dados sobre as potencialidades dessa moda. O Inmetro, por exemplo, não recomenda o brinquedo para menores de 6 anos por conter partes que podem ser engolidas ou que podem cortar a criança.

Outra questão para se levar em conta é a possibilidade da criança estabelecer uma relação de compulsão com o spinner. Nos Estados Unidos, algumas escolas já estão proibindo que os alunos levem o brinquedo porque está atrapalhando o curso das aulas. “A criança é seduzida e vira compulsão. Não consegue parar. Deixa de fazer o que precisa para se dedicar a essa atividade e, quando interrompida, fica irritada”, diz Pollyana.

Segundo a psicanalista, quanto maior o repertório de brincadeiras, mais benefícios à criança. “A criança tem que aprender e experimentar. Não pode ser focada só numa coisa”, diz. Os pais, nesse caso, precisam auxiliá-las, porque elas não têm maturidade para isso. “Na primeira infância, até os 6 anos, é preciso mais tempo para brincar. Não dá para encher a agenda de coisas. E também não dá pra marcar hora de brincar. Às vezes ela está elaborando um conteúdo difícil e é interrompida. Com o tempo, a necessidade da brincadeira diminui”, defende.

A dica para estabelecer uma relação saudável dos mais jovens ao entretenimento é associar o brinquedo da vez ao tempo de ócio e dosá-lo. “Não pode deixar virar abuso. Na escola não dá pra levar!”, resume Pollyanna.

Origem O brinquedo foi criado pela americana Catherine Hettinger em 1993 para interagir com a filha. A inventora sofre de miastenia grave, uma doença que causa fraqueza nos músculos do braço e da perna. Atualmente, o spinner é comercializado pelas mais diversas empresas pelo valor médio de R$ 25. Há modelos mais caros, com luzes de led, que chegam a custar R$ 500. Hettinger não patenteou a invenção, mas, em entrevista ao jornal The Guardian, disse que não se aborrece por não estar faturando com o spinner. Segundo a britânica, saber que algo que ela projetou está sendo usado pelo mundo todo já é o suficiente para deixá-la contente.

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